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Cam: Tecnologia, sensualidade e suspense na medida certa.

  • Foto do escritor: +Q90m
    +Q90m
  • 15 de mar. de 2020
  • 4 min de leitura

Além da problemática da tecnologia e a perda da imagem, Cam trata de uma realidade nunca vista antes em outros filmes. A vida das camgirls, garotas que exibem seus corpos na internet como forma de ganhar dinheiro.

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Alice (Madeline Brewer) é uma camgirl, que busca alcançar o TOP 50 do site em que se apresenta. Isso é conquistado através de limites particulares bem estabelecidos - não misturar sua vida pessoal com a de Lola (sua personagem), não iludir “seus” homens e nem se relacionar fisicamente com eles. Entretanto tudo se torna um pesadelo quando Alice perde o acesso a sua conta e vê seu espaço particular na internet ser tomado por uma réplica disposta a quebrar todas as suas regras.

Cam é um filme que divide opiniões. Há que não goste por não entender sua proposta e a quem goste justamente pelo mesmo apresentar várias possibilidades de interpretação. O filme faz parte de um subgênero de terror que não investe tanto no terror físico, mas psicológico - existem algumas cenas de violência explicita como a do suicídio com a arma, mas não é o foco. Esse subgênero exige de seu roteiro saídas mais inteligentes para dar continuidade e fluidez à história. Isso se destaca no filme muito bem com a protagonista do longa. Alice é decidida, inteligente e saber responder de forma eficiente às problemáticas que surgem com a captura da sua imagem. Madeline Brewer entrega uma ótima atuação e consegue entregar as várias camadas de sua personagem. Em um momento, Alice é confiante e animada, depois se torna uma mulher aterrorizada e estressada quando a nova Lola tomar conta de sua vida – tanto virtual como na vida real. Rapidamente consegui me conectar com Alice e me importar com ela. O foco em apenas um personagem também ajuda nessa imersão rápida aos conflitos que Alice tem que enfrentar. O roteiro (Isa Mazzei) e direção ( Daniel Goldhaber) nos entregam vários momentos tensos e que gradualmente vão aumentando de acordo com que Alice toma providencias em relação a copia de Lola. Tinker (Patch Darragh) de inofensivo passa a suspeito em potencial. Barney (Michael Dempsey) parece saber mais do que aparenta. A fotografia é linda e consegue ser imersiva junto aos conflitos da protagonista, entregando ao mesmo tempo algo aparentemente natural. A cena em que a sua sócia de Lola sai do quarto rosa para o quarto de Alice é bem representativa da solidão que a personagem vive na realidade.

Em suma, Cam é um ótimo filme, que entrega um bom suspense e cujo terror se esconde nas possibilidades negativas do uso e perda de nossa imagem na internet e todos os problemas e ansiedades a partir disso.


O mundo das Camgirls

Além da problemática da tecnologia e a perda da imagem, Cam trata de uma realidade nunca vista antes em outros filmes. A vida das camgirls, garotas que exibem seus corpos na internet como forma de ganhar dinheiro. Creio que um dos principais méritos desse filme é a desmistificação desse mundo, dando voz a essas mulheres anônimas, que se divertem e se sustentam agradando aqueles que as assistem. Cam expõe todas as contradições de ser uma camgirl, as vantagens e desvantagens.

Por um lado, essas mulheres ganham dinheiro de uma maneira relativamente segura, sem precisar se encontrar com os homens que as assistem. O negocio de Camgirls é bem lucrativo, tanto para as empresas de sites especializados no assunto como para as modelos que decidem escolher esse meio para ganhar dinheiro (Vou deixar um link ótimo sobre isso no final caso se interesse). Ao mesmo tempo em que a prática pode potencializar a autoestima dessas garotas, que naquele universo são constantemente desejadas, elas estão dispostas a agradar e realizar os mais estranhos fetiches de seus clientes. Indiretamente, se sentem mais livres em relação a realidade conservadora e machista que é imposta a elas, que não podem desfrutar da sua liberdade sem que de alguma forma sejam jugadas – não que isso não exista também no ambiente digital.

Em contrapartida, ao mesmo tempo essas vantagens podem se tornar um transtorno em um ambiente tão espinhoso como a internet. São exatamente essas problemáticas que mais se ressaltam em Cam. Ter suas imagens expostas de maneira indevida, sua vida particular rackeada por usuários dos sites com certeza faz parte dos terrores de garotas que trabalham nessa profissão. Alice, depois que decide quebrar suas próprias regras e em seguida ter sua imagem capturada - sendo confrontada por uma Lola disposta a fazer tudo que Alice não tem coragem -, acaba tendo sua imagem e vida exposta e colocada em situações constrangedoras como, por exemplo, a do aniversario do seu irmão. Ali, a Lola (sócia) se torna palpável e afetando diretamente a vida de Alice. Em situações como a do filme ou quando a vida dessas garotas de alguma forma está em perigo percebemos que elas não têm nenhum apoio justamente por sua profissão ainda ser vista como um tabu, de garotas que querem se exibir e que “procuram por aquilo”. A cena em que Alice chama a polícia é bem explicativa, já que em vez de ajudar, a preocupação era apenas em saber da vida particular dela e não a resolução do seu problema, revelando assim uma contradição da própria lógica machista. Indiretamente esse tipo de ambiente acaba reforçando uma competitividade feminina indo em contramão da liberdade feminina que o mesmo espaço se propõe a oferecer.

- Pedro Silva


Link uteis: Final Explicado


Cam (2018)

ANO: 2018

PAÍS: EUA

CLASSIFICAÇÃO:16 anos

DURAÇÃO: 1h34 min

DIREÇÃO: Daniel Goldhaber

ROTEIRO: Daniel Goldhaber, Isa Mazzei, Isabelle Link-Levy

ELENCO: Madeline Brewer, Melora Walters, Patch Darragh, Michael Dempsey


 
 
 

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