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Vingança: "mas você é tão linda que é difícil resistir.”

  • Foto do escritor: +Q90m
    +Q90m
  • 21 de nov. de 2020
  • 4 min de leitura

Apesar da grande semelhança com “Doce Vingança” de 2010, Vingança consegue se destacar e apresentar uma narrativa completamente envolvente sobre a questão de uma mulher que é violentada por homens.

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Jennifer (Matilda Lutz) é convidada por seu atual amante à passar um fim de semana em uma casa isolada no deserto. O que a moça não sabia, era que Richard (Kevin Janssens) havia convidado mais alguns amigos para uma caçada anual. Depois de ser violentada, os três decidem dar fim a vida da jovem que em meio ao deserto consegue sobreviver e decide se vingar.


O começo do filme e a apresentação dos personagens é um tanto lento, mas que toma outro folego no segundo e terceiro ato onde a ação e o gore mais se destacam. Aqui temos um misto da fotografia de planos abertos - de forma a apresentar o deserto -, planos mais fechados enriquecendo tanto a repulsa com os homens, como a “glorificação” da protagonista. Ao mesmo tempo temos sequências completamente rápidas e frenéticas que se contrapõem aos momentos mais lentos do primeiro ato. As atuações são eficientes, com destaque claro a protagonista Matilda Lutz que dá a Jeniffer em um primeiro momento uma timidez sutilmente escondida entre uma confiança, que logo se perde ao se sentir ameaçada. Tudo isso aos poucos vai se transformando em resistência quando Jeniffer, se vê focada em sobreviver e se vingar de seus agressores.

Para se relacionar de forma eficiente com esse filme temos que nos afastar um pouco da realidade, apensar de sua narrativa no primeiro ato problematizar uma questão tão viva entre as mulheres. Vingança faz parte de um subgênero do terror denominado gore - quando o filme traz cenas de violência explicitas, com muito sangue, mutilações e torturas. Filmes como esse são característicos do cinema francês. Em Vingança temos atos de violência que se acontecessem na realidade seriam bem diferentes (O ferimento do qual Jennifer sobrevive, por exemplo, seria impossível de acontecer na vida real). Isso pode incomodar um pouco, mas apenas se você se irritar bastante com essas tiradas do roteiro. Creio que a presença quase surreal de sangue está ali mais para incomodar do que se aproximar do real. Contudo, todas as cenas mais gores são bem realizadas e convincentes. O filme também não conta com muitos diálogos e boa parte dele tem um intuito forte de chocar visualmente. E isso é um grande mérito da diretora Coralie Fargeat, que consegue trabalhar bem vários pontos visuais para favorecer sua narrativa.

Quanto ao perfil dos personagens, eles são, de certa forma bem estereotipados, mas isso é completamente proposital. Temos três homens – ricos, brancos, héteros e cisgênero vale ressaltar. Stan é casado e trai a mulher constantemente. Aquele cara que diz para a amante que “vai deixar a esposa porque ele não a ama mais”. Temos o homem de autoestima baixa que quando não se sente desejado por uma mulher ou tem seu orgulho ferido se acha no direito de fazer o que quer com ela – como estuprá-la, por exemplo. E por último e não menos escroto, o homem que sempre acoberta os crimes de seus companheiros, ainda mais quando esse crime é contra uma mulher. A velha aliança dos homens que sempre protegem uns aos outros. Jennifer, por outro lado é construída inicialmente com os estereótipos que a sociedade estabelece como uma mulher fácil e fútil.


Um Olhar Sobre o Machismo

Por ser dirigido e roteirizado por uma mulher (Coralie Fargeat), logo entendemos que todo o longa é uma forma de revelar o olhar machista que sempre encontra meios e formas de culpabilizar a mulher pelas violências impostas a elas. O inicio do filme - quando temos o maior tempo de diálogos - é quando nos deparamos com as mais diversas frases e situações cujo intuito é expor como Jen (Matilda Lutz) é vista pelos homens. Contudo temos também alguns takes bem desenvolvidos sutilmente para mostrar o olhar da mulher – da diretora e da protagonista – em relação aos homens, como por exemplo, um deles mastigando, que assemelha bastante à um porco comendo.

Uma coisa que eu particularmente adoro nesse filme é como as coisas se invertem e como os homens, que no começo tomavam para si o lugar de poder, ao se sentirem ameaçados rapidamente perdem todo o seu domínio e "força" e passam a se sentir ameaçados pela mulher que abusaram. Como ratos prestes a serem comida de cobra. É uma sacada narrativa muito instigante, principalmente depois do primeiro ato. Isso na realidade pode se refletir justamente como um medo - muitas vezes inconscientes - que os homens tem de perder sua posição de privilégios sociais.

Vingança é um ótimo filme de ação, perfeitamente construído para pensarmos sobre a realidade e violência vivida cotidianamente pelas mulheres. Diferente de outros filmes com a mesma abordagem, aqui a vivência de uma mulher enquanto roteirista e diretora fazem toda a diferença no impacto causado por suas cenas violentas e ao mesmo tempo satisfatórias.

- Pedro Silva

Vingança (Revenge)

Direção: Coralie Fargeat

Roteiro: Coralie Fargeat

País: França

Duração: 108 min.

Ano: 2017

Gênero: Ação, Suspense

Classificação: 16 anos

Elenco: Matilda Lutz, Kevin Janssens, Vincent Colombe, Guillaume Bouchède


 
 
 

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