Resident Evil: A Extinção
- +Q90m
- 16 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
A ideia de se tornar um filme Sci-Fi continua, ainda assim a adaptação não conseguiu evoluir para uma trama tão boa quanto nos jogos

O mundo como conhecemos foi completamente extinto pela contaminação do T-Vírus por todo o globo. Agora com poucos sobreviventes, Alice viaja sozinha ocultando sua localização da Umbrella. Ao descobrir um possível lugar sem contaminação, Alice se alia ao comboio liderado por Claire Redfield na esperança de salvá-los. Contudo, a Umbrella têm outros planos para nossa heroína.
O filme começa da mesma forma de “O Hospede Maldito”. Alice acorda na antiga mansão onde trabalhava em função da segurança da Colmeia. Todavia, descobrimos depois que Dr. Isaacs (Iain Glen) - criador do Projeto Alice -, mantém experiências com clones de Alice em busca de extrair de seu sangue uma nova cura para o T-Vírus, que possibilite também um “melhoramento” entre os humanos – no caso, os grandes acionistas da Umbrella. Somos apresentados a um novo laboratório subterrâneo com basicamente os mesmos moldes da Colmeia.

A cena de introdução da Alice “original” é bem excitante, mas ao mesmo tempo bastante forçada. Começa da forma certa, mas acaba se perdendo quando os cachorros entram. Mais parece uma cena que foi pensada apenas para inserir os cachorros zumbis presente nos filmes anteriores.
O titulo do filme já entrega bastante o caminho que o roteiro levou. Agora o T-Vírus se espalhou por todo o mundo e rapidamente contaminando tudo o que vê pela frente. Mortes, secas, escassez definem as novas regras de sobrevivência – como, por exemplo, migrar por diversas cidades em busca de suprimentos. Qualquer esforço de Anderson de se aproximar dos jogos como no filme passado é completamente abandonado aqui nesse terceiro capítulo. Parece que o forte de Resident Evil (franquia) não é ter uma lógica direta entre as sequências, o salto narrativo do segundo filme para este é gigantesco. Aqui já aparecem as primeiras pontas soltas em seus roteiros. Por exemplo, a Alice original já morreu desde o segundo filme, a mulher que acompanhamos neste já é um clone – e depois descobrimos que todas são. Se o projeto é um só, e as copias são feitas do mesmo DNA, o que diferencia uma das outras? Essa resposta não é dada pelo roteiro.
São perceptíveis as inspirações em outras franquias de ação como Mad Max. Os carros de sucata adaptados, a falta de combustível, o ambiente deserto, etc. As fotografias anteriores de tons mais escuros passam a ter agora uma coloração mais ácida. Nevada se tornou um deserto, as cores fortes, a maquiagem - tantos dos atores como dos zumbis -, os figurinos sujos dando ênfase ao cansaço dos personagens são bastante eficientes. Uma evolução em relação aos capítulos anteriores. Como novidade, temos um novo grupo de sobreviventes bem expressivo, lembrando a série que viria ao ar na TV anos depois, The Walking Dead. Agora a direção conta com Russell Mulcahy, e é inegável sua habilidade com as cenas de ação que são bem melhores que o do filme anterior – mas nada surpreendente. Alguns elementos continuam os mesmos, por exemplo, os mapas do laboratório e como eles são expostos.
O CGI (Computer-Generated Imagery) do filme é bem fraco, contudo não sabemos se a falta de qualidade se dá pelo ano da produção (2007) ou por conta do pouco investimento na tecnologia. A cena dos corvos, por exemplo, uma das mais marcantes do filme - tanto por conta da criatividade, como pela presença do animal que constantemente aparece entre os jogos -, não convence muito em alguns momentos. O mesmo acontece na cena de Las Vegas, responsável pela melhor sequência de ação do filme. As atuações são medianas. Somos apresentados a novos personagens vinculados aos jogos como Claire Redfield (Ali Larter) e Albert Wesker (Jason O'Mara), ambos os mais presentes dentro da franquia dos filmes. Esse terceiro capítulo também retorna com personagens anteriores como Carlos Oliveira (Oded Fehr) e L.J. (Mike Epps), esse último sem nem mesmo uma função justificada ou importante na trama. Jill Valentine não retorna para a sequencia, por conta de choques na agenda com a atriz Sienna Guillory. Entretanto, o roteiro também não se dá ao trabalho de explicar seu paradeiro ou de como ela se separou do grupo. Milla Jovovich está linda em seu retorno à Alice e com um novo plot: o desenvolvimento de seus poderes recém descobertos. O filme também apresenta Tirano, um conhecido vilão entre os jogos. O filme termina com Alice encontrando seus clones e preparando uma nova vingança à Umbrella.
Resident Evil: A extinção é um filme que se distancia bastante dos capítulos anteriores em busca de desenvolver um novo caminho para a franquia. Apesar das boas cenas de ação e de alguns acertos técnicos, o roteiro se perde na sua própria história.
- Pedro Silva e Breno Muniz
Resident Evil: A Extinção (Resident Evil: Extinction)
ANO: 2007
PAÍS: EUA
DURAÇÃO: 94 Min
DIRETOR: Russel Mulcahy
ELENCO: Milla Jovovich, Oded Fehr, Ali Larter, Iain Glen, Ashanti, Mike Epps
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