Resident Evil: O Capítulo Final
- +Q90m
- 30 de mai. de 2020
- 4 min de leitura
Chegamos ao último filme, o sexto capítulo da franquia. Foi uma longa jornada e para um filme alcançar isso não é pouca coisa. Na época era uma das melhores adaptações de vídeo game para o cinema, marca que foi facilmente batida nos dias de hoje.

A missão em Washington não passou de uma segunda grande armadilha para Alice. Sozinha pela terra desolada, nossa heroína descobre uma última tentativa de acabar com tudo de vez. Sua nova aliada - mas velha conhecida -, a Rainha Vermelha garantiu a Alice uma cura para salvar os poucos sobreviventes ainda restantes. Cabe a Alice voltar a Raccoon City, onde tudo começou e destruir de vez a Umbrella.
O filme inicia com Alice contando a história de origem da Corporação Umbrella. Um cientista chamado James Marcus, preocupado com o problema de saúde de sua filha, Alice desenvolve um vírus (T-Vírus) que ajuda a retardar sua doença – que tem como principal sintoma o envelhecimento acelerado. Marcus, junto a Dr. Isaacs (Iain Glen) tornam-se sócios da Umbrella cujo objetivo é desenvolver o T-Vírus como meio de salvação mundial. Contudo, o vírus apresenta efeitos colaterais imprevistos, fazendo com que Marcus desista da venda em massa do produto. Isaacs assassina o sócio tomando para si a guarda da pequena Alice e, junto a isso, o controle total da corporação.
Seguido disso, a protagonista faz um resumo de toda a história – capítulos anteriores – até ali. Acabou que a experiência em Washington foi uma grande armadilha para a heroína, mas sem sucesso já que ela conseguiu sobreviver. Uma coisa que incomoda já no início do filme é exatamente esse ponto. O roteiro não se dá ao trabalho de explicar em nada o que acorreu em Washington, o que Wesker fez ou até mesmo para onde formam os outros personagens. O encerramento de Residente Evil: Retribuição vendeu uma ideia de final épico junto aos personagens mais queridos da franquia de jogos. O empenho do roteiro por eles é apenas: “eles foram mortos e ponto final”.
Qualquer triunfo que Paul W.S. Anderson tenha conseguido alcançar no filme anterior é completamente perdido aqui. Os efeitos especiais são bons, mas as montagens deixam muito a desejar. As cenas de ação são confusas o que torna quase impossível acompanhar a própria ação, tão perdidas que só servem para nos deixar desorientados com o que acontece. O filme traz muita nostalgia, voltando aos cenários do primeiro filme, e dando aquela sensação de despedida - o que é exatamente isso na verdade.
O roteiro traz algumas trapaças reconhecendo sua própria falta de desenvolvimento. Anderson retoma/retorna vários pontos do primeiro de O Hóspede Maldito. Somos levados novamente a Raccoon City e ao laboratório subterrâneo chamado Colmeia, como já dito. Nos deparávamos com cenários mais bonitos e bem construídos. Como a história se passa nos escombros da cidade, a produção de arte se dedica a algo bem pós-apocalíptico resgatando novamente alguns traços de Resident Evil: A Extinção. Tudo aqui é muito escuro, claustrofóbico. O sexto capítulo continua com a mesma sacada do filme anterior em relação ao desenrolar dos acontecimentos. A Rainha Vermelha (Ever Gabo Anderson), agora dita às regras que vão orientar as ações dos mocinhos em cada “fase”.
A nosso ver, o mais problemático nesse filme, fora a montagem do longa é o seu roteiro. É clara a intensão de inserir a subtrama com os sobreviventes apenas para ganhar alguns minutos e inserir Claire Redfield junto aos outros “personagens”. São diálogos expositivos, novamente personagens mal desenvolvidos que apenas servem para ser “carne para o abate”. Anderson tenta construir algo épico para o final da saga, mas falha em amarrar as diversas pontas soltas de seus próprios roteiros.
Por exemplo, o que aconteceu com os poderes de Alice? Se ela estava infectada desde Washington, o que houve com suas habilidades? Chris Redfield? Claire conseguiu escapar, mas em nenhum momento menciona seu irmão. Assim como em Jogos Mortais, a Colmeia mais parece uma das experiências loucas de Jigsaw. As armadilhas matam cada personagem por vez e param sem motivo aparente. Os acontecimentos ocorrem de forma muito rápida como, por exemplo, a cura surgir de uma hora para outra, apenas por razões de “este é o último filme e temos que fazer algo”. A composição do vilão Dr. Isaacs (Iain Glen) é desastrosa. O personagem se resume a um lunático religioso, algo que nem mesmo foi estabelecido nos filmes passados. Para um cientista que consegue clonar e dar vida aos seus experimentos nem ao menos faz sentido Isaacs ter essa nova característica. Albert Wesker (Shawn Roberts) tem um destino tão tosco e esquecível que novamente, não faz jus ao que foi estabelecido em relação ao personagem e nem vale a pena comentar.
Quanto às atuações, Jovovich continua bem em sua Alice, que sem sombra de dúvidas sustentou todos os filmes. A atriz apresenta uma grande paixão pela personagem, e isso faz toda a diferença. Ali Larter também segue bem em sua composição de Claire, única personagem dos jogos que permanece. Iain Glen poderia ter desenvolvido bem melhor seu vilão se não fosse o próprio roteiro, mas o ator manda muito bem com o que tem. Ruby Rose entrega uma personagem bem caricata. Quanto aos outros personagens, são tão mal trabalhados que nem vale a pena comentar.
O ato final de Alice contra o Dr Isaacs, a descoberta de todos os reais planos da Umbrella e sobre a sua própria história é um tanto comovente, mas romântico demais para um filme de ação. Não que não agrade, é um final justo para a heroína que se dedicou tanto ao fim da companhia.
Resident Evil 6: O Capítulo Final encerra a saga de filmes iniciados em 2002. É um filme que aposta na nostalgia, e se manteve fiel a sua nova fórmula encontrada em Resident Evil 4: Recomeço, mas que infelizmente não fez jus ao nome Resident Evil. Apesar de todas as suas falhas, é um filme essencial para quem é fã e se ligou a franquia, gostando ou odiando.
- Pedro Silva e Breno Muniz
Resident Evil 6: O Capítulo Final (Resident Evil: The Final Chapter)
DIRETOR: Paul W. S. Anderson
PAÍS: EUA
DURAÇÃO: 106 min
ANO: 2016
ELENCO: Mila Jovovich, Iain Glen, Ali Larter, Shawn Roberts, Eoin Macken, Fraser James, Ruby Rose, William Levy
Comentários