Resident Evil: Retribuição
- +Q90m
- 27 de mai. de 2020
- 4 min de leitura
Mais um novo capítulo da saga, agora próxima de seu fim. Paul W.S. Anderson aprimora técnicas tudo nesse novo filme. Embora o longa se mantenha com a mesma premissa do anterior, focado na ação, as cenas de slow motion continuam, com sequências de ações memoráveis, dessa vez menos toscas e irritantes como no filme passado

Ao descobrir que Arcadia era uma farsa - não um lugar seguro, mas uma grande armadilha projetada pela Umbrella -, Alice é capturada pela Corporação. Mantida presa em uma nova instalação subterrânea, recebe apoio um tanto inusitado para escapar e lutar novamente pela destruição da multinacional e seu vírus mortal.
O filme começa exatamente de onde a franquia parou em Resident Evil: Recomeço, com o navio Arcadia sendo atacado por Jill Valentine - controlada por um dispositivo da Umbrella - e um grupo sob sua liderança. A cena do ataque é um tanto diferente começado de trás para frente. Claire e Chris Redfield já não estão mais presentes e ninguém explica o que aconteceu com ambos. Alice (Milla Jovovich) faz um resumo de todos os filmes e o que aconteceu até aquele momento. Uma clara tentativa de organizar o roteiro tanto para quem acompanha os filmes, como para o próprio filme estabelecer seu ponto de partida.
Corta para outro momento, uma Alice feliz, casada com Carlos Oliveira (Oded Fehr) e mãe de Becky (Aryana Engineer) nos é apresentada. Depois de um ataque zumbi pela cidade, descobrimos que toda essa situação não passa de novos testes e experiências desenvolvidas pela Umbrella. Enquanto isso, a Alice “original” está presa, sendo submetida a vários interrogatórios por Jill Valentine (Sienna Guillory) – interrogatórios que não tem qualquer lógica em suas perguntas. Alice consegue escapar e temos nossa primeira sequência de luta/ação com zumbis “normais”, a única no filme. É uma cena muito boa na verdade, conseguindo apresentar as habilidades de combate da protagonista sem parecer forçado ou apelativo.
Descobrimos que Albert Wesker (Shawn Roberts) tratou de libertar Alice e que precisa da sua ajuda para derrubar a Umbrella. Segue uma cena bastante expositiva/explicativa sobre os planos da corporação com a venda de armas biológicas e de como a Rainha Vermelha – sendo aqui novamente a vilã, como em O Hospede Maldito – têm planos para acabar com a humanidade.
A direção e roteiro, novamente de Paul W.S. Anderson se revela bem melhor se comparado a Resident Evil: Recomeço. A ação – pois não se trata de um filme de terror – é boa, com ótimas sacadas e sequências que satisfazem bastante. Por exemplo, uma perseguição com um Licker gigante, e, dando ênfase ao último ato do filme, Alice contra Jill Valentine, que é uma baita luta. É claro que existem algumas falhas como as armas de Alice cuja munição nunca acaba. Quanto ao roteiro, o cineasta abraça completamente a lógica de vídeo games: um objetivo a ser conquistado em meio a vários impasses e contratempos. Existe também alguns elementos direto da franquia de jogos como, novamente os Executioner e Licker, e o Vírus Las Plagas – inserido sem justificativa aparente. O filme não está dispenso de exageros, apesar de seus bons efeitos visuais, o longa tem sequências surreais até mesmo para aquele universo como, por exemplo, os zumbis armados ou a morte do personagem Barry que tenta trazer uma carga dramática falhando com êxito.
Anderson parece ter percebido seu erro anterior em relação aos personagens caricatos, mas em partes. Como forma de solucionar o problema da falta de desenvolvimento e, de quebra agradar os fãs dos jogos, ele decidiu literalmente vomitar todos os personagens importantes nos jogos que ainda não tinham sido usados. Sem falar em personagens antigos da própria franquia e do filme que mais teve triunfo - novamente O Hospede Maldito. Michelle Rodriguez retorna como Rain Ocampo, a mesma agente durona e sem verdade do primeiro filme. James "One" Shade (Colin Salmon), Carlos Oliveira (Oded Fehr). Boris Kodjoe retorna como Luther West, que continua sem nenhum desenvolvimento, apenas com uma incrível habilidade de aprender técnicas militares em poucos dias.
Em relação aos novos personagens temos Leon S. Kennedy (Johann Urb) e Barry Burton (Kevin Durand), ambos completamente mal aproveitados e tendo de semelhança com seus personagens dos games apenas suas vestimentas. Jill Valentine retorna com um plot referente ao game Resident Evil 5. Contudo, se algum novo personagem ganha alguma devida atenção é Ada Wong (Li Bingbing). Com um figurino de Resident Evil 4 a personagem ganha várias referências ao jogo – como o confronto dela com Leon -, junto com uma atuação mediana. A cena de Alice e Ada contra os Executioner é de certa forma bastante empolgante.
O filme termina com Wesker devolvendo os poderes de Alice e recrutando os principais personagens do jogo (Leon, Ada, Jill) para a última batalha contra a Rainha Vermelha e a Umbrella. Um final que deixou qualquer fã da franquia - tanto dos filmes como dos jogos - sedento para o próximo capítulo.
Resident Evil: Retribuição consegue caminhar melhor que seu antecessor, sendo uma sequência mediana. Tecnicamente bom, trazendo efeitos acertados. Apesar das trapaças no roteiro, o filme segue com agradáveis cenas de ação compensando aqueles que se encantaram com a franquia nos filmes iniciais.
- Pedro Silva e Breno Muniz
Resident Evil 5: Retribuição (Resident Evil: Retribution)
DIRETOR: Paul W. S. Anderson
DURAÇÃO: 96 min
PAÍS: EUA
ELENCO: Milla Jovovich, Michelle-Rodriguez, Kevin Durando, Sienna Guillory, Shawn Roberts, Aruanã Engineer, Oded Fehr, Colin Salmon, Johann Urb, Boris Kodjoe, Li Bingbing
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